sexta-feira, 3 de julho de 2009

Renault 4CV com mecânica de Fusca

Foi de ver Emerson Fittipaldi correr no Autódromo de Interlagos com seu Renault 4CV, em 1966, que o engenheiro mecânico Adilson Blois se apaixonou pelo carrinho, conhecido no País pelo apelido de "Rabo Quente". Na época Blois tinha 19 anos.

Ele conta que ainda em 1966 chegou a comprar um 4CV, mas o romance durou pouco tempo. Blois precisou vender o Renault para pagar o conserto do carro do pai, que havia batido.

O tempo passou, mas não a paixão do engenheiro pelo carrinho, que é raro no Brasil. Em 2004, exatos 38 anos depois, Blois encontrou o 4CV das fotos que ilustram esta página.

Feito em 1951, o carro estava no Rio Grande do Sul e foi encontrado pela internet. "Pelas fotos ele era bonito, mas foi pura enganação. Quando chegou a São Paulo era na verdade um monte de ferrugem cercado de massa por todos os lados. Precisei refazê-lo totalmente."

A saga em que se transformou a reconstrução do carro levou cinco anos e só agora está na fase final. A funilaria foi feita pela Elukar (2459-1343), em Guarulhos. A opção foi utilizar estrutura e mecânica de um VW Fusca. "Aí surgiram novas dificuldades. O ‘Itamar’ que eu havia comprado para servir de base foi roubado. Então tive de recomeçar tudo do zero."

O motor, um VW boxer refrigerado a ar (igual ao do Fusca), é preparado. Com dupla carburação, teve a cilindrada aumentada de 1,6 para 1,8 litro. O comando de válvulas foi trocado por outro mais bravo e o platinado deu lugar à ignição eletrônica.

Segundo Blois, a potência é estimada em cerca de 100 cv. O câmbio de quatro marchas, também Volks, teve o diferencial trocado por um mais longo. As portas traseiras foram soldadas e o 4CV ficou com dois lugares - segundo Blois, para dar mais resistência à carroceria. As da frente permanecem do tipo suicida (abrem-se para trás).

A suspensão dianteira veio do Chevrolet Chevette e a traseira é multibraço, com quatro pontos de fixação.

Mas, quando ficaram prontas, as adaptações não estavam boas. "Quase desisti", conta o engenheiro. Quem salvou o projeto foi o mecânico Hamilton Carraro (3858-6683). "Em dois meses ele mexeu no carro todo, acertou tudo. Nem acreditei."

Como a tapeçaria está quase pronta, Blois não vê a hora de andar no 4CV. "É meu único antigo. Não ligo se ele não é original. Quero me divertir."

O apelido do Renault 4CV vem de seu motor original. Com quatro cilindros, 747 cm3 e apenas 17 cv, tinha refrigeração líquida, ineficiente para o calor brasileiro. Era comum o motor ferver, daí o "Rabo Quente".
Estadão - Luís Felipe Figueiredo - Jornal do Carro

Um comentário:

Renato Hilario disse...

Olá,
Tb tenho um Renault 4CV com mecanica VW que está comigo há 36 anos.
Meu nome é Renato, moro na zona sul de Sp
Se vc puder podemos nos falar pra trocar informaççoes. Meu tel é 11 99812.56.78
Um forte abraço